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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Resumo da ópera

Bem, agora que os dias turbulentos de nossa grande travessia já passaram, aproveito para lhes apresentar um resumo de nosso desafio. Inicio pela apresentação de algumas matérias que foram veiculadas pela imprensa local - tanto na internet quanto na TV Gazeta Alagoana - sucursal da Rede Globo naquele estado.

A matéria que descreve muito resumidamente nossa empreitada está em:
http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Interior&vCod=112492
Não seria possível repassar os quatro dias de nossas ricas experiências em tão poucas palavras, mas este artigo já serve de aperitivo.
Ou ainda em:
http://www.r2noticias.com.br/portal/?pg=noticia&v=1&enquete=8&opcao=32&id=1106

Para quem for discípulo de São Tomé - aqueles que precisam VER para crer - segue abaixo um pequeno documentário produzido pela TV Gazeta de Alagoas.
Curtam o momento de nossa chegada em Penedo:

video

sábado, 1 de outubro de 2011

O sol e o vento

Conforme publicado em meu último texto, certos fatores podem marcar um evento de natação em águas abertas de forma indescritível e, por vezes, de forma imprevisível.
Refiro-me aos dois fatores que nos causam preocupação diária: a forte incidência dos raios solares e o vento que sopra do oceano para o continente. Entenda por que eles são preocupantes:
Comecemos pelo sol. A região é sabidamente bastante quente. Nesta época do ano, o calor é bem forte e a incidência de sol ininterruptamente sobre a pele exposta dos nadadores pode causar-lhes algum tipo de queimadura. Dentro do possível, alguns de nós vão nadar com uma roupa - eu usarei um macacão sem braços, tipo jardineira - que protege minimamente as costas, mas deixa ainda uma boa parte exposta. Talvez o ponto mais sensível seja mesmo o rosto.
É de se esperar que usemos protetores solares - eu estou levando um com FPS 50. Mas devido à presença constante de água lavando o nosso corpo, ele costuma não durar muito. Aí a incidência aumenta. Vamos ver como a situação vai evoluir.
Quanto ao vento, ele é bastante comum no período da tarde e costuma soprar do oceano para o continente. Em contato com a superfície do rio, ele gera ondas que representam uma força contrária ao nadador. Então, de um lado o nadador está aprofundando sua braçada para pegar a correnteza a seu favor e de outro, está sofrendo com as ondulações e o fluxo superficial contrário.
As ondulações provocadas pelo vento são bastante indesejáveis. Lembro-me da Travessia 14 Bis de 2008 onde a presença de um ciclone extra-tropical no sul do país se fez sentir nas praias paulistas através de ventos fortes e incessantes. Havia ondas de um metro de altura no meio de um canal que, via de regra, é bem estável.
Nadar com ondulação contrária acaba com os ombros do nadador - falo isso por mim. Por essa razão, não descartamos a possibilidade de anteciparmos nossas largadas para antes do nascer do sol.
Trata-se de mais um ingrediente exótico adicionado a um projeto igualmente pouco usual. Mas é a experiência que manda!

Qual a distância? Qual o esforço?

As provas natatórias em contato com a natureza apresentam elementos muito particulares, incomuns em provas de piscina. Só para citar alguns deles, listo aqui a imprevisibilidade das condições da natureza, a capacidade de navegação do nadador, os acidentes de percurso, dentre outros.
Uma discussão que tem permeado nosso grupo diz respeito a qual distância será nadada DE FATO entre as cidades de Piranhas e Penedo. A primeira aproximação vem através de medições feitas no Google Maps. Basta abrir a página, localizar as cidades, ampliar o zoom ao máximo entre duas cidades vizinhas constantes do trajeto e utilizar a ferramenta para medição do comprimento de um caminho, supondo os trajetos que o nadador irá percorrer. Isso implica em levar em consideração as curvas do rio, ilhas, pedras, remansos, etc. e prover os meios de contorná-los quando se traça o caminho. Assim o fiz para cada um dos quatro trechos que percorreremos. Esta distância resultou em aproximadamente 170 Km.
Mas o Google ainda pode apresentar desvios - medições de distâncias feitas por navegadores levam em conta as cartas náuticas, que são muito mais precisas neste quesito.
No Canal da Mancha, a distância a ser percorrida é a menor reta entre os dois pontos: o de partida, que é bem conhecido (usualmente Shakespeare Beach, ao lado do porto de Dover) e o de chegada, que nem sempre é previsível - afinal, pode-se chegar mais ao sul ou mais ao norte de Cap-Gris-Nez. Em condições normais, todo o restante - o caminho em forma de senóide que o nadador percorre, onde ele é levado e trazido pela correnteza - não constituem trabalho no sentido básico em que ele é definido pela física. Logo, não devem contar como distância percorrida.
Acontece com muita frequência que as "condições normais" acima mencionadas nem sempre estão presentes. Querem um exemplo? Na recente travessia do Canal da Mancha em revezamento feminino pela equipe brasileira ainda neste ano de 2011, por uma questão de navegação, uma das atletas (a Priscila Santos) teve que nadar contra a correnteza a fim de corrigir o trajeto da travessia. Pelo que ouvi, ela nadou uma hora sem sair do lugar. Isto quer dizer que talvez o que mais conte numa grande travessia não seja a distância, mas o esforço do nadador. Como ainda não inventaram um esforçômetro, ficamos com a distância mesmo.
Na verdade, os esforços, os perigos, as belezas e as realizações pela conquista só podem ser capturados através dos relatos que se contam e se ouvem contar sobre a prova. Esta parcela é aquela que não tem preço e é digna de uma propaganda do Mastercard (se me permitem uma chula comparação capitalista).
Esta parte da história eu deixo para contar para vocês em breve.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Boa sorte e muito obrigado!

O Alê anda muito inspirado estes dias. Ele tem um bom humor fantástico e sempre contribui com suas opiniões com o nosso blog. Vejam mais este aqui, que ele nos presenteou:


O grande dia está chegando, com ele a ansiedade, a culpa (sempre acho que poderia ter treinado mais...), a correria dos últimos preparativos, a logística pra poder se ausentar por uma semana, a busca por inspiração e a força mental para superarmos as dificuldades, muitas delas imprevisíveis, por se tratar de um desafio inédito.

Com a energia do sol e a força da água vamos em frente, rio abaixo!
Esse projeto nasceu de uma ideia, cresceu e evoluiu para um projeto, se transformando hoje em um sonho que estamos prestes a realizar.
Teremos talvez os dias mais difíceis de nossas vidas (sol, chuva, redemoinhos, pedras, fome, dor, medo, etc...). Em alguns momentos tenho quase a certeza de que vamos nos perguntar: “O que estamos fazendo aqui?” Mas isso tudo é passageiro, o que vai ficar para a vida toda é o que realmente importa: as amizades, os email trocados por toda a equipe (tem passagens hilárias, principalmente nos embates Edmundo/Percival), a linguagem poética escolhida pela Eliana pra nos motivar, e toda a emoção em que fomos envolvidos nesses meses de preparação. Hoje foi um dia especialmente marcante, pois meus alunos de hidroginástica se reuniram para fazer uma oração antes da aula e desejarem sorte pra todos nós.

Lamento pelo meu parceiro Celinho Tubarão não poder ter nos acompanhado. Esse sonho foi dele também, mas a paternidade recente fez com que seguisse momentaneamente por um “afluente”, mas que com certeza, num futuro bem próximo ele volta pro “nosso” rio.

São Francisco me remete a Ouro Preto. Foram quase 10 anos admirando do adro de suas Igrejas, a de Paula e a de Assis, de onde temos uma das mais belas paisagens da cidade, e se tratando de lá, não é pouca coisa não! Por obra do destino, estive lá essa semana, e busquei força e inspiração. Tenho certeza de que voltei mais forte e preparado.

Somos uma equipe, composta pelo metódico Percival, do empolgadíssimo Edmundo, da peça raríssima do Fábio, enfim, o único normal sou eu! Mas nossa equipe não para por aí, temos o Niltão, a Eliana, o Eugênio, a “Lua”, o Carlinhos e todos aqueles que toleraram nossa rotina nesses últimos meses. (alguns não podem ser mencionados sob o risco de ser degolado pelo Foschini - rsrsrs)
A vitória já é de todos nós! Só tenho a agradecer a oportunidade de fazer parte desse projeto tão bonito e significativo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Transformações

Um evento como esta Travessia pode transformar a vida de uma pessoa - muito positivamente, em minha opinião. Mas, ao longo destes anos que Deus me permitiu viver, percebi que este valor não vem automaticamente. É preciso ter a atitude correta.
Se eu tivesse que escolher um companheiro de Travessias entre um nadador experiente e sem motivação para treinar e um nadador inexperiente e com muito tesão pelo que faz, eu não titubearia em escolher este último. Por que ele sabe dar o valor necessário à oportunidade, está disposto a se superar, a trabalhar duro e vai se comprometer com a causa. Para o primeiro, não existe garantia nenhuma de compromisso - esta pode ser apenas mais uma travessia (propositalmente com "t" minúsculo) ou mera diversão.
Sinto grande vontade de vencer nas figuras do Alessandro e do Fabio. Sobre o Foschini, nem preciso comentar - na sabedoria de seus 62 (quase 63) anos de idade, ele já nadou muito e, o mais importante, apresenta-se como o MENTOR deste projeto. Em suas palavras, pode-se perceber um grau de descontração e tranquilidade que lhe permitem afirmar o que dá certo e o que não dá certo em travessias ao ar livre. Quisera eu chegar a essa idade com essa motivação toda! Ou melhor, quisera eu chegar a essa idade! (Apesar que eu já falei pra ele que não chego não - o que é bom dura pouco! Rsrsrsrsrsrs.)
O momento está chegando de provar do que cada um de nós é capaz. Eu já tive experiências em que fui com muita sede ao pote e, literalmente, "quebrei a cara". Aprendi as verdadeiras lições do esporte, onde tanto a vitória quanto a derrota são experiências que fazem parte da escola da vida. Arrisco dizer que se aprende mais na derrota do que na vitória, contanto que se tenha lutado até o final pela vitória e se tenha a humildade de reconhecer seus erros.
O lado bom do esporte é esse mesmo: ele está aí para nos ensinar A TODOS. Aprende quem tem sensibilidade - não apenas os profissionais de Educação Física ou os atletas de elite.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Rio de Janeiro continua lindo

Mais um treino conjunto da dupla dinâmica Alessandro-Fábio, desta vez no Rio de Janeiro. (Não me perguntem quem é o Batman e quem é o Robin, OK?). Vejamos abaixo o que o Alê nos conta:

A cidade do rock foi palco do nosso treino. Nunca vi uma concentração tão grande de cabeludos e tatuados por metro quadrado. Enquanto jovens do Brasil inteiro chegavam para o maior Festival de Música do Mundo, eu chegava para me preparar para um dos maiores desafios aquáticos do mundo!
Encontrei com o Fábio e sua bolsa repleta de “guloseimas” às 8:45 (com apenas 45 minutos de atraso...). As notícias não eram animadoras. Segundo meu parceiro, os camaradas dos pranchões que iriam dar apoio durante nosso treino desistiram. O motivo: segundo as previsões, um ciclone extratropical estava a caminho da cidade maravilhosa o que provocaria ondas de até dois metros e meio. Enfim, teríamos que nos virar sozinhos mesmo. Nada que afligisse o Fábio, que logo tratou de arrumar uma cordinha na qual  amarrou duas garrafinhas contendo malto, fora o gel e a bananada. Ficou hilário, na hora que ele nadava, aquilo parecia uma cauda (pra não dizer rabo).
Entramos na água – muito gelada, por sinal – e nadamos até o Leme onde o mar estava realmente bem mexido, retornando a seguir para Copacabana. Resolvemos cancelar o treino da tarde, pois temíamos que o tal “ciclone do Fábio” realmente chegasse. Fizemos o segundo treino na parte da manhã mesmo – após um intervalo de 30 minutos, nadamos mais um tanto.
Não cumprimos a distância desejada, mas o treino foi importante para mantermos o foco direcionado para o grande dia que está chegando.
O desdobramento da travessia ainda é uma incógnita – talvez seja este nosso maior desafio: enfrentar o desconhecido. Mas estamos todos muito confiantes, esperando não tão pacientemente, para iniciarmos esse grande desafio que, com certeza, vai mudar nossas vidas de forma positiva. Ninguém  passa “imune” por uma experiência dessas!
Valeu!

Não tem almoço de graça

Se existe uma coisa que intriga o ser humano é enfentar o desconhecido. Esta maratona aquática se enquadra perfeitamente nesta categoria: ela é uma incógnita muito grande.
Para uma pessoa bem quadradinha como o engenheiro que sou, é importante esquadrinhar cada passo, cada movimento, cada preparação, cada estratégia para evitar o desconhecido. A regra de ouro é: "não pode haver surpresas", máxima que aprendi a respeitar como sinal de sobrevivência e longevidade no meio empresarial. Com isso, espero estarmos mais próximos de atingir os objetivos do grupo.
O fato de uma travessia assim nunca ter sido feita antes nos deixa, no mínimo, curiosos sobre seus resultados. Um dia de reconhecimento do Rio São Francisco próximo à cidade de Piranhas já nos deixou recordações marcantes para toda uma vida. O que, então, poderá acontecer de mais marcante nos quatro dias de nosso projeto? Quais as surpresas que nos aguardam? Quais as alegrias? Quais os enroscos, as dificuldades? A única certeza que tenho é que encontraremos de tudo um pouco.
Do lado técnico, arriscamos várias hipóteses. Sabemos de elementos que provavelmente não sairão como planejados, por estarem fora de nosso alcance, mas já planejamos meios alternativos, onde eles são possíveis.
Do lado humano, prevemos um período de crescimento do grupo e de forte alinhamento dos cinco elementos - os quatro nadadores e nosso recém-entrado barqueiro - além da intensa relação com as populações locais, que compartilharão suas experiências conosco, marcando de forma indelével nossas almas. Nossas personalidades sairão amadurecidas e enriquecidas.
A cada treino que faço, saio mais convencido de que vai dar certo.
Parafraseando os mais otimistas que comentam que "vai ser fácil" - a eles, eu afirmo com muita segurança que NÃO. Se os dias da Maratona forem vencidos com facilidade, isto só reforça o fato de que os longos meses de treinamento ANTES da prova não foram nada fáceis. Logo, o "fácil durante" não implica no "fácil antes" - a relação oposta é a mais verdadeira.
A vida me ensinou que não tem almoço de graça. Pensar diferente disso numa travessia desse porte é tornar-se um franco-atirador. E no hall dos vencedores não há muito espaço para franco-atiradores.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Recebemos uma homenagem

Nosso grupo foi homenageado com um lindo filme e uma bela canção de fundo, por uma colega que conheci nos meios virtuais. Seu nome é Eliana Bando.
A Eliana foi quem me achou via email, após ter comprado e lido o meu livro sobre o Canal da Mancha (indicado a seguir para quem ainda não o conhece).


Por email, trocamos algumas ideias sobre minha Travessia. Ela sempre se mostrou uma pessoa de grande sensibilidade pois conseguia extrair do livro mensagens de valor - aquelas frases que o autor se recorda com facilidade por que foram vividas com grande intensidade.
De lá pra cá, acabamos por nos encontrar virtualmente no facebook - foi quando eu lhe apresentei o nosso projeto e iniciei este blog. Tanto a Eliana quanto seu marido Elton contribuíram bastante para que este blog tenha o formato hoje proposto. Eles já me resolveram milhões de dúvidas técnicas - tanto que, ao escrever para eles, eu já tomo a liberdade de chamá-los de "Help Desk".
Qual não foi nossa surpresa quando percebemos que ela produziu e publicou o seguinte filme, como uma homenagem ao nosso grupo e à nossa iniciativa! Ficamos extremamente lisonjeados com sua atitude e já a incluímos como nadadora virtual do grupo.


O Foschini a chamou de "A voz de Londres", numa alusão ao programa da Segunda Guerra Mundial, que propagava mensagens de incentivo aos combatentes pelas ondas de rádio. Aí eu já não sei opinar - não é do meu tempo - hahahahaha!
Na semana que vem, quando formos visitar o "Museu Foschini", prometo trazer mais informações.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Eu bebo sim...

Olha, vou contar uma coisa para vocês. Quem vê a borda da piscina da Atlantis - cheia de garrafas (ou squeezes, como alguns preferem chamar) - não imagina o quanto de energia se está gastando ali. Acho que, por essa razão, o Agnaldo acaba economizando no aquecimento da piscina - tamanha a dissipação calórica dos nadadores. Rsrsrsrs


A equipe lá é altamente motivada - tem gente fazendo preparação para o São Francisco (este que vos escreve), gente que participa do Campeonato de Águas Abertas, gente que vai nadar a 14 Bis pela enésima vez - os experientes - e gente que vai fazer pela primeira vez. Todos com seu treininho colado na pranchinha azul, colocada em pé, parecendo uma lápide com seu epitáfio. A comparação não poderia ser mais válida, haja vista que saímos de lá quase MORTOS.
Eu só leio o treino que vou fazer quando chego à beira da piscina - para não ficar planejando nada antes. Vai ser aquilo e acabou! Sem firulas. Durante o treino, eu me dou o direito de aumentar as metragens, uma vez que as demandas do Velho Chico são bastante ousadas - mas só o faço após a metade do treino - acho que a serotonina já está fluindo e, com isso, o humor melhora e tudo fica mais fácil.
Mesmo assim, sem beber, não dá. A energia se esvai e, segundo rígidas orientações nutricionais, é preciso repor.


Esse vermelhinho - que todos pensam ser maltodextrina sabor morango - é, na verdade, Campari. A Bel leva sempre vodca, a Jeany caipirinha e aquela senhorazinha japonesa que começa a nadar antes de todo mundo - ela leva o sakê. Rsrsrsrsrs.
Vou sugerir ao Agnaldo que ele coloque alguns banquinhos próximos à borda e um telhadinho de sapê, para criar o clima.
Um brinde ao São Francisco! Acho que vou de Frangélico nessa. Alguém me acompanha?
Saúde!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Diálogos em treino

Reproduzo aqui algumas pérolas de diálogos à beira de piscina. Para quem não está muito acostumado a ouvir papos-cabeça e conversas de altíssimo nível, aí vai uma pequena amostra:


Técnico: Tenho uma boa e uma má notícia pra você. O treino de hoje é composto de: oito tiros de oitocentos, dezesseis de quatrocentos e trinta e dois de duzentos.
Nadador: E qual é a boa?
Técnico: É submerso.

Nadador 1 (ao fim de treino de 10 mil metros em piscina coberta): É verdade que existe vida lá fora?
Nadador 2: Sim. Ouvi falar que tem uma bola redonda e amarela no céu que mantém a vida neste planeta.

Nanador 1: Qual é o seu treino hoje?
Nadador 2: Seis de dois mil.
Nadador 1: Você não tem mulher e filhos?

Técnico (ao final de treino estressante): Você está se sentindo bem?
Nadador: Não sinto nada.
Técnico: Que bom.
Nadador: Não sinto os braços, não sinto as pernas, não sinto o abdômen...

Essa aqui foi real e aconteceu comigo há uns dois meses atrás.
Nadadora 1: Lá no Rio São Francisco, qual é a temperatura da água?
Eu: Deve ser uns 25 graus
Nadadora 1: Tem correnteza a favor nos 170 km que vocês vão nadar, né?
Eu: Sim, mais forte no início e bem fraca no final.
Nadadora 1: Aaaaah. Então vai ser fácil.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um domingo feliz!

Segue o relato do Foschini sobre um de seus treinos em mar aberto naquele paraíso chamado Maceió.

No dia 18 de setembro, levanto-me às 1:15h da manhã, faço uma meditação de agradecimento e vou me alimentar para enfrentar o último longão, visando o Grande Desafio no "Velho Chico". Inicio o treino às 2:30h, com o tempo nublado, ventos com mais de 60 km/h e ondas acima de meio metro de altura (a lua é cheia, a maré está subindo). Até aqui tudo bem !
Como de costume a CEAL (Companhia Elétrica de Alagoas) promove aos domingos um apagão para manutenção da rede elétrica - aí sim, as coisas começaram a ficar pretas! Perdi a referência visual do continente (da praia) e íniciei um voo cego (nado cego) e, usando a minha intuição e o meu conhecimento da região, retomo a trajetoria em direção a Paripueira. Após uma hora e meia de nado, dou de frente com uma água-viva de aproximadamente vinte cm de diâmetro que, para se defender, lança os seus tentáculos sobre mim. Felizmente, eu estava usando o macacão de natação e somente queimei as mãos e um pouco o rosto. A sensação, para quem ainda não conhece, é como se você colocasse a parte atingida do seu corpo em um braseiro (arde muito...).
Seguindo em frente, com dor e um pouco de enjoo, chego ao município de Paripueira, já com 3:10h de nado. Faço uma primeira alimentação e inicio o meu retorno a Ipioca. Manhã chuvosa, o nascer do sol provocou um enorme arco-iris que parecia que ia me engolir. Não deu outra, tive que parar para curtir este fantástico fenômeno da natureza. Saindo da enseada de Paripueira "eis que de repente" sinto a presença de um vulto enorme passando por baixo do meu corpo, Num misto de medo e curiosidade, fiquei a espreitar - quem será? Não era a LUA. Era um enorme PEIXE-BOI que parou na minha frente, me olhando como se dissesse: "Meu, você esta´bem?".
Levo comigo uma  pochete com hidratante e bananas e não deu outra: - fizemos um piquenique, o cara comeu todas as bananas e sumiu..... O PEIXE-BOI é um mamífero aquático de elevada inteligência que merece toda a nossa atenção, pois sua espécie encontra-se em extinção.
Após seis horas e meia de nado, concluí o meu último longão visando o "Velho Chico".

Mais um guerreiro

Soube na semana passada que o Foschini convidou o Niltão para nos acompanhar em nossa Maratona Aquática. Foi a melhor iniciativa que vi ele tomar - melhor ainda do que me convidar para nadar junto! O Niltão não vai nadando, mas vai dar o apoio embarcado que é tão necessário em situações como esta.
Fiquei super feliz com a notícia! Em primeiro lugar, por que o Niltão é um cara escolado em travessias de longa duração - ele tem sido o melhor barqueiro da Atlantis nas últimas edições da Travessia 14 Bis, no litoral paulista. Em segundo lugar, por que ele já conhece alguns dos figurantes - a mim e ao Foschini, com certeza - e consegue suportar as reclamações, as injúrias e os palavrões tão comuns ao longo de um trajeto dessa magnitude. Em terceiro lugar, por que ele é dono de um bom humor invejável, que espanta qualquer sinal de ranzinzice (acreditem, esta palavra existe - acabo de checar no Houaiss!). Em quarto lugar - last but not least - por que ele tem um apito extremamente estridente que vai ficar buzinando na nossa orelha a fim de que sigamos suas orientações.

Acima, o Niltão e sua esposa, a "Santa Cristina", prestigiando a noite de autógrafos de meu livro sobre o Canal da Mancha, em 2008.

Ele é tão envolvido com as causas de nossas Maratonas Aquáticas que é capaz de pular na água para ajudar moralmente o nadador a completar a prova. Eu já vi isso acontecer - e funcionou!
Uma presença que vai fazer a diferença na hora do "vamos ver". Agora vamos apresentá-lo ao Carlinhos - o barqueiro que conhece tudo do Rio São Francisco - e teremos uma equipe campeã!
Mais uma razão para não fazermos feio dentro d'água. É melhor eu parar de escrever e treinar mais - a responsabilidade está aumentando!

sábado, 17 de setembro de 2011

Passei até perfume.

Quando estivemos na região de Piranhas para fazer o reconhecimento da região e do rio - na ocasião fomos eu e o Foschini representando todo o grupo - tivemos o apoio irrestrito do pessoal da cidade (conforme já comentado no post "Um dia para entrar na história") - e também recebemos a visita dos repórteres da TV Gazeta - afiliada da Rede Globo no estado de Alagoas.
Eles produziram um vídeo que foi ao ar hoje pela manhã num programa de esportes, que ficou bastante agradável de ser visto. Vejam a seguir.

video


Gostaram dos modelitos? Eu passei perfume e o Foschini penteou a barba. Rsrsrsrsrs.
Ali dá para ter uma ideia da beleza - sem esquecer dos perigos - da região. Espero que apreciem o visual!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Próxima parada: Cidade Maravilhosa!

O Alessandro nos presenteia abaixo com mais um texto informativo e divertido. A dúvida que fica é: qual será o tamanho de SUA mochila de mantimentos...

Depois de receber o Fábio e sua inseparável “mochila gastronômica” contendo 70 bananas, 39 batatas cozidas, 24 ovos cozidos entre outros petiscos, vou retribuir-lhe a visita. Sábado dia 24 chego pela manhã ao Rio de Janeiro para fazermos dois treinos longos, um pela manhã e outro pela tarde. Minha sugestão é fazermos uma Travessia dos Fortes ida e volta antes do almoço e repetir a dose de tarde, perfazendo aproximadamente 14 Km. O objetivo é nadar um grande volume no mesmo ritmo do Fábio. Segundo nossas estimativas, no Rio São Francisco nadaremos próximos, enquanto os “batedores” Percival e Foschini vão na frente fazendo reconhecimento das pedras e redemoinhos. Rsrsrs.
É uma viagem rápida, chego pela manhã e retorno para Minas Gerais de noite. O sacrifício é em prol de um grande objetivo, ou melhor, da realização de um sonho. Mesmo que não seja um sonho de menino, é um desejo que já me acompanha há uns dois anos, desde que a travessia foi vislumbrada pelo Foschini.
É isso aí galera, CONTAGEM REGRESSIVA!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um sinal desapercebido

Estava eu me levantando num dia desses - deve ter sido num domingo, pois nos outros dias da semana eu acordo muito cedo para ir treinar e não enxergo nada na escuridão do quarto - quando olho para o móvel ao lado de minha cama e o vejo.

Nem imaginava que ele estivesse assim, tão perto e eu não me apercebi de sua presença.
Vejam quem estava ali, entre Santo Expedito e São João Batista!


Ele mesmo! São Francisco já morava dentro de casa há cerca de treze anos e estava ali, impassível a me observar. Eu só não havia relacionado sua ilustre figura ao nosso próximo grande desafio.
A partir de então, passei a observar os outros São Franciscos que encontrava por aí. Num escritório de uma empresa no Rio de Janeiro, encontrei mais um - desta feita pequenino, mas seguindo o mesmo modelito acima - com pássaros ao seu redor. Conversando com sua proprietária, a Solange, ela me contou que tinha um total de 88 estátuas de São Francisco em sua casa!
Isso é que eu chamo de gostar do Santo!
Bem, eu não tenho 88 estátuas, mas terei em breve uma overdose de São Francisco. Serão 170 Km - mas com a ajuda do santo, vai ficar mais fácil.

domingo, 11 de setembro de 2011

Teleconferência com a CHESF - Parte I

Esta experiência foi muito enriquecedora - eu me sinto na obrigação de compatilhá-la com todos vocês.
Todos que leem este blog já entenderam que partiremos da cidade de Piranhas, à jusante da Usina Hidrelétrica de Xingó. Isto quer dizer que a operação da usina tem influência direta nos resultados de nossa Maratona Aquática.
Para esclarecer estes pontos, agendamos uma conversa com o pessoal da CHESF, responsável pela operação de Xingó. Conduzimos a conversa por telefone, dada a distância que nos separava. Do lado de lá estavam 4 pessoas: a Sonáli, a Daniela, o Meuzer e o Antonio Melo.
Em primeiro lugar, achei que o pessoal foi muito gentil em nos atender, saindo de sua rotina diária a fim de entender os anseios de um pequeno grupo de nadadores que perseguem um grande objetivo nas águas sob seu comando. Agradecemos enormemente por seu apoio e seus esclarecimentos.

Xingó é uma usina relativamente nova (dez/1994) e potência instalada de 3,16GW - espero que seja o suficiente para nos dar um empurrãozinho - rsrsrsrs.

A primeira informação relevante foi a de que Xingó tem o compromisso de manter uma vazão mínima de 1300 m3/s a fim de atender aos outros usos do rio - entre eles, a navegação, a captação de águas para consumo das cidades, etc. A vazão esperada - a mínima do dia - costuma ser de 1700m3/s e é a predominante pela madrugada. Ela começa a se elevar gradativamente - a elevação nunca é abrupta demais, ela segue parâmetros máximos de variação horária - a partir das 5 horas da manhã e, obedecendo a uma curva média, atinge o seu pico por volta das 19h, quando ela joga mais de 2300m3/s.
Toda essa variação de vazão provoca variações no nível do Rio São Francisco e foi percebida por nós em nossa visita a Piranhas. Pela manhã, o nível pode ser até 1,5 metros mais baixo do que no início da noite. Nossa preocupação é entender como ficam as regiões de Caçamba e Mateus, onde se formam os maiores redemoinhos, numa condição de nível mais baixo de água.
Esta foi uma das poucas questões que, tecnicamente, Xingó não soube responder, mas que será investigada tão logo cheguemos a Piranhas. Como organizadores da prova, nenhum de nós, nadadores, quer correr riscos desnecessários - por esta razão, todas as medidas serão tomadas no sentido de garantir a integridade de todos - sempre!
Outra conclusão que tiramos é que o horário ideal para a largada, considerando-se somente a vazão de Xingó, seria próximo ao meio da tarde. Nós, no entanto, pretendemos sair às 7 da manhã de modo a evitar o nado noturno tanto quanto possível. A prova será mais dura, exigirá mais do preparo dos nadadores, mas será certamente mais segura!
O recado para o Sr. Antonio, que trabalha na divisão energética de Xingó, ao passo que ele nos explicava o ciclo da usina, foi muito claro de minha parte:
- "Seu Antônio", quando estivermos lá, no meio daquele mundão de água, vamos estar torcendo pro senhor abrir as torneiras lá em cima!!!
Esse foi um dos momentos mais descontraídos de nossa conversa!
Temos mais informações interessantes para apresentar - o que deixo para uma Parte II, sob risco de causar uma onda sonífera demasiadamente grande em meus leitores.

sábado, 10 de setembro de 2011

O nadador e o pinguço

O que têm um nadador e um pinguço em comum?
Muita coisa! Explico:
Uma de minhas recordações mais antigas - eu ainda era criança - foi ver um pinguço no bar enchendo a cara. Ele pediu uma dose de sua "branquinha", tomou o copo quase todo - daqueles pequenos e de vidro grosso - e deixou um pouquinho no fundo. Sem muitas firulas, ele descartou aquele restinho na pia do bar e disse:
- Este aqui é pro santo!
E logo em seguida pediu mais uma. E mais uma. E mais uma.
Bom, todas as vezes que eu faço um treinamento, eu deixo um tanto pro santo também. Num treino de 5 mil, faço uns 5200 ou 5300 e deixo a diferença "pro santo" - figurativamente, é claro. E assim o faço rotineiramente, independentemente da distância nadada.
Espero que essas diferenças todas tenham agradado ao São Francisco, já que iremos encontrá-lo (o rio) em breve. Estando lá, não custa pedir uma ajudinha ao santo, não é mesmo? Como vamos descer o rio e, como diz a cultura popular, "na descida todo santo ajuda", estamos duplamente confiantes de sua colaboração.
Outra coisa que temos em comum é a cor da face: após um treino, é comum as faces ficarem meio rosadinhas, coloração gerada pela grande irrigação sanguínea provocada pelo esporte.
Um nadador também bebe bastante durante o treino - malto, água, chá, etc. Nesta semana uma atleta que treinava conosco - a Bel - trouxe sua máquina para fotografar o número de garrafas (esportivas, é claro) que ficavam à beira da piscina. A minha continha maltodextrina sabor morango e parecia um Campari! Vou conseguir a foto para anexar aqui.
Isto tudo sem falar que, ao final de um treino forte, a gente sai caindo pelos cantos - tontinho da silva.
Enfim, as semelhanças são mesmo numerosas!
Ainda bem que não tem sarjeta na piscina!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

“Mateus”, “Caçambas”, “Redemoinhos”, etc...

Segue abaixo o recado enviado pelo Alessandro Massaini, um dos atletas que participarão em nossa Maratona do Rio São Francisco. Mandou bem, Alê!


Conforme explanação do amigo Percival, inclusive com “técnicas para sobrevivência em redemoinhos”, a exagerada distância não será nosso único obstáculo. Por lá encontraremos um tal de “Mateus”, um outro tal de “Caçamba”, que vão nos exigir cuidado para que não naufraguemos nosso projeto. Mas esses obstáculos, de certa forma já são íntimos nossos.
Não somos capazes de promover a “multiplicação dos pães”, mas se não fizermos com que nosso dia tenha 27 ou 28 horas, não conseguimos treinar. Compromissos diários tais como estudo, filhos, trabalho, supermercado, banco, oficina, viagens, reuniões, lombalgias, tendinites, otites e agora a mais recente: ESCLOROSE MÚLTIPLA! - esses são os verdadeiros “Mateus” e “Caçambas” pelos quais passamos e sobrevivemos diariamente.
Ah! Sem falarmos nas digníssimas esposas que nem sempre são sensíveis aos nossos esforços, nunca acreditam que nosso objetivo é simplesmente treinar. Imaginem, chegar sábado pela manhã no Rio de Janeiro, treinar em dois períodos com o Fábio para acertarmos o ritmo, e depois, de noite voltar pra Minas Gerais. Somente nossas esposas cismadas poderiam imaginar que temos outras intenções...
E por falar em treinamento, o Fábio está aqui em Itabirito, literalmente hospedado na piscina! Vamos nadar o DESAFIO 10+10 DE NATAÇÃO, serão 10 Km no sábado,  repetindo a dose no domingo. Estamos em contagem regressiva – é preciso foco e energia.
Vale um último comentário: o Fábio trouxe uma mochila imensa com a alimentação dele, e isso para dois dias apenas! Na Travessia do Rio São Francisco temos que redobrar os cuidados para que o barco de apoio não naufrague com o peso dos suprimentos dele...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Patologias natatórias

Não, não e não.
Este texto NÃO vai tratar do Anas platyrhynchos - mais vulgarmente conhecido como "pato".  Até por que, como todo pato nada, a "patologia natatória" seria considerada, no mínimo, um pleonasmo.
Vamos falar, sim, daqueles efeitos indesejados sobre o corpo de um nadador oriundos da prática constante do esporte e que, por vezes, o levam a buscar auxílio médico.
Todo esporte exige do corpo humano maiores e/ou menores esforços em certas partes do corpo. Assim, um jogador de futebol é acometido frequentemente por contusões nos joelhos e vários outros pontos próximos aos membros inferiores. Um tenista sente a explosão de suas arrancadas e freadas abruptas e suas articulações estão sempre no limite.
Uma das patologias mais comuns entre nadadores está o chamado "ombro do nadador". Seja ele um nadador de fundo ou velocista, todos estão sujeitos àquela dorzinha incômoda no ombro que pode tirá-lo do esporte se não for equacionada. Eu mesmo tenho sofrido bastante com meu "ombro do nadador", pois voltei a treinar há pouco tempo e o aumento de volumes foi simplesmente cruel. Tive de recorrer a várias técnicas para minimizar seus efeitos, como exercícios de fortalecimento, mudança de postura dentro da água (inclui mudar a angulação dos braços e até mudar o lado de respiração no crawl), a boa e velha nimesulida, as proteínas para aumento de massa muscular, etc. Se não for cuidado, torna-se o principal fator limitante desta Maratona no São Francisco.
Uma segunda patologia muito frequente é o "ouvido do nadador" - esse nome eu acabo de inventar. É que o nadador passa tanto tempo na água que seu canal auditivo é lavado exaustivamente a ponto de não apresentar mais a mínima proteção de cera em seu interior. É tão limpo que o organismo sente a falta de proteção - e aí começam as otites, etc. Bem, essa é mais fácil de evitar - basta usar aqueles tampões e manter-se absolutamente surdo durante todo o treino! Rsrsrsrs.
A terceira - e pior - patologia é a ESCLOROSE MÚLTIPLA. Percebam, não é esclerose, é esclorose mesmo! Trata-se dos efeitos do cloro sobre o cérebro do nadador. Seus efeitos são sentidos quando o nadador passa a nadar dez quilômteros diários e acha aquilo normal; quando ele faz 3 mil metros de pernas e tudo bem; quando ele se acostumou a sair de uma cama quente às 4 da manhã num inverno rigoroso para ir treinar ou ainda quando ele se aventura a ir além dos "100 x 100m a cada"! Aí o quadro pode ser considerado grave e normalmente apresenta como origem uma grande travessia que ele possa ter em vista. Nos casos mais graves, recomenda-se ao nadador escolher uma academia que tenha convênio com um hospital psiquiátrico da região.
UFA! Ainda bem que a Atlantis é coligada do Bezerra de Menezes, que oferece descontos para todos os alunos, os professores e até para os donos!!! Rsrsrsrsrs.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Matemática avançada do Agnaldo

Atenção físicos, químicos, engenheiros e matemáticos de plantão. Vocês, que estudaram Cálculo I a IV não estão devidamente atualizados nos mais modernos conceitos matemáticos desenvolvidos na Academia Atlantis pelo Agnaldo - meu amigo e técnico de natação que me acompanhou ao Canal da Mancha.
Ele desenvolveu técnicas que aliam a ciência exata aos princípios motivacionais mais eloquentes e eficazes para a prática da natação de longas distâncias. Vou citar apenas um exemplo, de tantos já presenciados por nossos colegas de academia, ocorrido há cerca de duas ou três semanas:
Eis que chego à piscina às 6 da manhã para meu treino diário. Com muito sono, leio as linhas do treinamento CUIDADOSAMENTE PREPARADO pelo Agnaldo. Via de regra, no ritmo atual de treinamentos, os volumes têm se posicionado em torno dos 7200 metros diários (naquela semana, hoje já passaram dos oito mil). Pois naquele exato dia, o total indicado na folha de treinos somava apenas 4500 metros.
- Não pode ser verdade. - pensei com meus botões, ou melhor, com minha sunga - Deve ter algum erro de soma aqui!
Não foi necessário procurar muito e logo percebi que, do lado esquerdo, o treino determinava um tiro de 3000m e, do lado direito, onde a planilha somava as metragens, por um erro de digitação, apareceu apenas 300m. Daí a diferença de 2700m que determinava - como já esperava - que a distância nadada total fosse os mesmos 7200m.
E lá fui eu, nadando feliz e contente - animado, ao ponto de fazer quase mil metros a mais só para ultratassar os oito mil no dia. Ao fim do treino, refiz as contas no papel e percebi que o treino de 7200 era, na verdade, um total de 7700m. "A Planilha" não havia somado o aquecimento de 500m, segundo a versão agnaldiana. Isso quer dizer que, de um inocente treino de 4500 metros eu acabei nadando 8600!
Pode perguntar pra qualquer um lá na Atlantis - nas planilhas, ele nunca errou para mais, só para menos! Será que é problema do Bill Gates? Algum mau contato de software?
Seja como for, trata-se de uma avançada técnica matemático-motivacional, não acham?

sábado, 3 de setembro de 2011

Tem piranha?

Essa história aconteceu há cerca de três meses. Logo que o Foschini me convidou e formamos o grupo de nadadores, iniciamos o planejamento de nossa empreitada. Por ser morador da região - ele é um paulista morando em Maceió - o Foschini indicou os nomes das cinco cidades que formariam nosso trajeto, de quatro dias.
São elas, na ordem que as iremos percorrer: Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, Porto Real do Colégio e Penedo. Todas se encontram na margem alagoana do Rio São Francisco.
Passados os primeiros quinze minutos de entusiasmo, veio a pergunta que não queria calar:
- Por que será que o nome de uma cidade à beiro do rio é PIRANHAS?
Por email, questionamos o Foschini. Ele também não sabia ao certo, mas afirmou categoricamente que não havia piranhas no rio - quanto à presença delas na cidade, ele já não poderia garantir. Rsrsrsrs.
Depois percebemos que o melhor a fazer era mesmo perguntar à população local - e com esse intuito, fomos até a região. Chegando lá, a pergunta feita a várias pessoas confirmou a tese que, para alegria geral do grupo, não havia piranhas em Piranhas.

Então, por que esse nome dado à cidade?
Segundo histórias lidas na Wikipedia e juntando com os relatos locais, parece que um caboclo pescou uma piranha num RIACHO local (não foi no São Francisco), que deu nome à região. Mas conversamos com o Secretário de Pesca de Piranhas - afinal, a pesca é uma de suas atividades mais produtivas (a outra é o turismo) - e ele garantiu que não há piranhas naquela região.
O Foschini e eu nadamos por ali - até vários quilômetros rio abaixo de Piranhas e constatamos o fato.
 - UFA! - Alívio geral de nosso grupo de nadadores.
Um problema a menos para tratar. Vamos agora cuidar do próximo e, um a um, encarar o desafio com o máximo de segurança!
Tenho ouvido falar que elas existem em outras partes do Rio - mas isso é tarefa para ser investigada em outras oportunidades.
Quem sabe, outro projeto?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Como reagir a um redemoinho

Seus problemas acabaram!
Se você um dia estiver nadando e der de cara com um redemoinho, aqui está o guia "Faça você mesmo - como reagir a um redemoinho".  Mais um produto das... Organizações Tabajara!!!

Em primeiro lugar, é importante salientar que não estamos falando de como SOBREVIVER a um redemoinho - uma vez que isso nem sempre é possível. Leia nosso prático Manual de Instruções e boa sorte!

Manual de Instruções
Capítulo 1
Ao se aproximar de um redemoinho, avalie seu tamanho e sua força da melhor maneira que puder. Se a água permitir, observe submerso a profundidade de seu olho e o tamanho das coisas que ele puxa, bem como a força com que ele arremessa tudo para o fundo. Se for grande e poderoso e você não for capaz de evitá-lo, comece imediatamente a rezar - cuide da alma, pois o corpo já era! Não se esqueça de xingar até a quinta geração de quem te colocou naquela fria.
Capítulo 2
Se for possível enfrentá-lo, mantenha a calma e lembre-se das magníficas aulas de física do segundo grau, onde você estudou o Princípio de Conservação do Momento Angular. Se não lembra, veja exemplos práticos aqui (e, de quebra, aprenda um pouco de italiano!):


Capítulo 3
Se você entendeu bem o Capítulo 2, perceberá que deve manter-se absolutamente na horizontal e o mais longilíneo possível. Caso você se desespere e queira ficar de pé, seu momento de inércia cairá e o redemoinho terá mais facilidade em rodá-lo e, por conseguinte, puxá-lo.
Capítulo 4
Use de seus dons natatórios e evite aproximar-se, tanto quanto possível, do olho do redemoinho. Passe o mais longe possível dali e não deixe as pernas afundarem - bata-as fervorosamente. Se estiver num rio, use a correnteza a seu favor e entre no braço que vai arremessá-lo - pela ação da força centrífuga - para baixo no rio. Não economize na força braçal nessa hora.
Capítulo 5
Escreva um comentário de agradecimento neste blog que ajudou a salvar sua vida! Rsrsrsrsrs.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Programa de índio

Eu falei que o Foschini havia ficado tímido, recatado, quieto depois de nosso treino turbinado, não?
Pois no dia seguinte ele resolveu me dar o troco.
Saímos de Piranhas após aquele mega-almoço e combinamos que iríamos seguir o carro da TV Gazeta, pois eles eram originários de Arapiraca e conheciam bem a região. Combinamos que eles iriam na frente e acertamos as velocidades:
- Eu vou a cento e vinte - o motorista arapiraquense comentou.
- E o Foschini vai a sempre vinte - acrescentei. Rsrsrsrs.
Logo partimos, agradecendo ao Eduardo (em nome de toda a cidade de Piranhas) pela excelente estadia e receptividade que obtivemos. Entre encontros e desencontros na estrada, uma perdidinha aqui, outra ali, chegamos à casa do Foschini, em Maceió. Fui muito bem recebido numa bela e arejada casa a apenas cem metros da praia, mais ao norte de Maceió. A esposa do Foschini, Mara, é uma simpatia de pessoa!
Como não poderia deixar de ser, combinamos um treininho no mar. Havíamos chegado tarde - mais de dez da noite. Por isso, o Foschini foi legal comigo e deixou eu dormir até as três da manhã, pois às quatro já estaríamos na água.
Antes de sair de casa, os avisos dele:
- Você deve usar roupa. Evite ir apenas de sunga, pois podemos encontrar caravelas e águas vivas.
E lá fui eu vestir minha roupa de natação.
- É bom passar um pouco de vaselina, pois vamos nadar pelo menos 4 horas
E lá fui eu passar a dita vaselina nas articulações.
- Vamos levar o que comer. Eu vou levar pêssego em calda neste potinho. Acho que você devia fazer um lanchinho e levar.
E lá fui eu preparar um tanto de malto para colocar na pochete que levaríamos junto ao corpo. O próprio Foschini embrulhou o pão num saco plástico e colocou na pochete.
- Se você encontrar um peixe-boi no meio do caminho você não estranha não - ele me disse. É daqui da região, uma fêmea que é monitorada pelos pesquisadores. Ela pode aparecer por baixo de você - então, não se assuste.
E lá fui eu tentar digerir mais esta: como é que eu reagiria se um bicho de mais de dois metros e meio viesse me encontrar naquela escuridão? Acho que eu ia ter um troço!
Saímos às 4 da manhã, breu total na praia. Para ajudar, estava chovendo!
Os dois com roupas pretas - afinal, roupa de nadador não é igual a roupa de mulher, de mil cores e estampas a escolher. eu ainda usava uma touca vermelha - a dele era preta. Ideal para brincar de esconde-esconde em alto-mar!
Saímos nadando em direção a um conjunto de luzes bem distante. Água numa temperatura agradável, mas impossível de se enxergar qualquer coisa. Quando eu ficava à esquerda de meu amigo, respirava para a direita e buscava segui-lo. Mas aquela dorzinha no ombro às vezes se manifestava. Então eu mudava e ia pra direita, respirando para a esquerda. Com o mar um tanto mexido - começou a ventar - somado a algumas parcas luzes da praia eu facilmente perdia o Foschini de vista.
Não havia muito o que fazer - era buscar não se perder da melhor maneira possível.
No meio do caminho, demos de encontro com alguns currais no meio do mar - montados pelo homem para criação de algum peixe/ molusco, não sei ao certo. Tínhamos que desviar. o Foschini, avisou:
- Vamos passar pela esquerda por que à direita tem os corais e você pode se machucar!
E lá fui eu passar à esquerda.
Mais adiante, ele me avisa: daqui a pouco vamos passar por um banco de areia. Mas não apoie os pés no fundo - tem ouriços por ali.
E lá fui eu sem colocar os pés no fundo.
No meio do caminho, como não poderia deixar de ser, nos perdemos um do outro. O que fazer numa praia estranha, na escuridão da noite e sem saber até onde ir, por onde passar? Se eu não o encontrasse, rumaria em direção à praia e a "diversão" - se é que eu poderia chamar aquilo de diversão - terminaria ali mesmo. Fiquei chamando por ele até que nos reencontramos. Combinamos nova estratégia para nos perdermos menos e seguimos nadando.
Passamos as luzes que havíamos mirado. Eu estava cansado e um tanto desanimado. O Foschini queria prosseguir - comecei a desconfiar que ele tinha um caso com o peixe-boi. Rsrsrsrs. O sol havia se levantado e se escondia atrás das nuvens. Paramos para uma alimentação. Tomei minha malto - à temperatura do mar - que ficou horrível e comi um pêssego em calda que meu colega levou. Não me atrevi a desembrulhar o pão, que devia estar encharcado com água salgada naquela altura do campeonato!
- Vamos voltar - eu sugeri. Já estamos nadando há cerca de duas horas - estimei.
Assim o fizemos. A volta foi mais tranquila - não sei se pelo fato de eu estar renovado pela alimentação ou se pelo extremo desejo de reencontrar com uma cama - seca e quente - para descansar.
Acabamos por não encontrar a Lua - este é o nome do peixe-boi amiga do Foschini.  Meu cardiologista agradece.
E, finalmente, após extasiantes 4 horas de emoções agradabilíssimas, coloquei os pés de volta na areia de onde partimos.
E lá fui eu tomar um banho quente, um bom café da manhã e dormir por mais 3 horas para tirar o atraso e compensar pelo "programão" de chuva, vento, ondas, corais, pedras, ouriços, caravelas, águas vivas, currais, escuridão, assaduras, perdição e quase encontro com o peixe-boi  proporcionado por MEU AMIGO Foschini.

domingo, 28 de agosto de 2011

Um dia para entrar na história

Acordamos cedo.
Na varanda da pousada, onde era servido o café da manhã, a mesa já estava posta à nossa espera. Dona Dione já estava lá, com sua simpatia de sempre, e preocupada que estivéssemos muito à vontade. A mesa era farta e só eu e o Foschini para comer. Além de todos aqueles ingredientes do café da manhã regional, havia também iogurtes, suco de frutas, banana frita, 3 tipos de queijo e o melhor: uma vista deslumbrante do Rio São Francisco, que corria silenciosamente a 20 metros dali.
Comemos bem, mesmo sabendo que logo entraríamos na água. Em conversas no dia anterior, agendamos para receber os repórteres às 9h da manhã em frente à prefeitura. 30 minutos antes encontraríamos o pessoal administrativo - secretários de esporte, turismo, pesca, etc. - para averiguar as condições mínimas para fazermos o reconhecimento do rio. Precisávamos de uma embarcação motorizada e um piloto experiente para nos alertar sobre os pontos críticos que poderiam representar algum risco para o nadador.
Na verdade, eu me vi ali na posição errada - e tenho me questionado bastante sobre isso ultimamente. Por que é que eu estava num lugar bonito daqueles para procurar os pontos de risco do rio? Eu deveria é estar procurando conhecer os pontos mais bonitos do rio, conhecer sua história, sua população, sua vegetação, sua fauna marinha, etc. Esses fatos têm me levado a pensar e a buscar conciliar as duas coisas e utilizar o teorema de JAQUE, que diz:
"JÁ QUE estou aqui para nadar, vou aproveitar para também curtir o local, sua população, cultura e todas as demais coisas boas da região."
Fizemos várias reuniões com os secretários, saindo de frente da prefeitura indo até o museu Lampião até a sala do Cacau, Secretário de Turismo, que reuniu a todos - já éramos umas dez pessoas neste momento - e discutíamos os próximos passos - guia, barco, entrevistas, etc.
Dirigimo-nos à prainha para nossa largada. Havia um píer onde o barco encostou, ali colocamos nossos pertences, os repórteres embarcaram - não sem antes conduzir entrevistas com os principais secretários da cidade - e combinamos nossa entrada na água.
Mergulhamos de cabeça no rio. Primeiro o Foschini, eu logo atrás. Buscamos o meio do rio e combinamos o ritmo de nado, que deveria ser bem leve no início. Dentro do barco, aquele personagem que poderá ser nossa tábua de salvação: tratava-se do Carlinhos, experiente barqueiro, guarda-vidas e mergulhador da região. Ele conhecia tudo do rio. Mergulhava por ali com frequência - inclusive para resgatar corpos!!!
Ele logo entendeu o que buscávamos e orientou:
- Vamos até o Caçamba para vocês sentirem como é. Tem alguns redemoinhos por lá e não tem jeito - vocês vão ter que passar por eles.
Naquela hora eu me animei. Não sentia mais o receio do dia anterior - talvez por estarmos acompanhados, não sei dizer. Mas eu estava com muita fome de água - o redemoinho seria um temperinho a mais...
Fomos nadando, o barco nos acompanhando ao largo, com o cuidado de não ficar próximo demais dos nadadores. Após alguns poucos minutos, veio o aviso do Carlinhos:
- Olhem ali na frente. Tão vendo aquela pedra? Passem à esquerda dela. fiquem espertos, pois vai ficar mexido...
Não era uma pedra qualquer - era grande e saltava do rio bem no meio de seu leito. As águas se revolviam e formavam inúmeros redemoinhos ao seu redor. Seria impossível escapar deles. Segui na direção indicada. Percebi que o Foschini icomeçou a derivar um pouco para a direita. Eu parei de nadar e gritava feito um louco pra ele se aproximar, mas ele, com a caabeça dentro da água, não conseguiu me ouvir.
Logo tive que deixar de me preocupar com o Foschini, pois, olhando à frente, vi que a hora de demonstrar o meu preparo estava chegando: eles estavam logo ali, a poucos metros de distância. Eram muitos, com cerca de 3 a 4 metros de diâmetro e um olho voraz em seu centro.
- Vamos lá - pensei. Vamos dar um nó neles!!!
Assim, com a cabeça alta, negociei minha entrada no primeiro - não faço ideia de quantos eu atravessei até sair daquela região, mas a sensação era mais ou menos a mesma:
Você entra retinho, absolutamente alinhado, a froça rotatória te dá uma entortada que leva seu tórax e pernas para um lado, enquanto seus braços e sua cabeça estão tentando seguir adiante. Até este ponto, tudo bem. o problema foi quando comecei a sentir os pés afundando. Eles puxavam sim, não tão forte que você não pudesse reagir, mas forte o suficiente para dar aquela descarga de adrenalina. Passei a bater as pernas com força, até sentir que elas estavam nivelando novamente. Com o corpo torto, fiz um bocado de força com os braços. Não foi pouca coisa. Meu objetivo era manter-me na superfície - ali não haveria perigo.
Passei pelo primeiro - depois vieram outros mais - cerca de uns 3 ou 4 e eu passei pelo Caçamba. Já bem tranquilo, gritei pro barco:
- Vão atrás do Foschini! Eu estou bem. Vão ver onde aquele cara foi se meter!
Para mim, o Foschini ia diretamente na direção da grande pedra. Ele deve tê-la visto a tempo, mas ele sofreu um bocado a mais para se safar.
Enquanto esperava o barco trazer notícias do Foschini, fui arremessado com a somatória das forças da correnteza e dos redemoinhos rio abaixo. A água era um verdadeiro espelho e me transmitia a falsa impressão de que eu estava parado - olhei para a frente e vi uma pedra vindo rapidamente na minha direção por cima da água. Era uma pedra grande com cerca de um metro de altura e dois de largura.
- Como será possível? - pensei. Pedras não flutuam e, menos ainda, não correm na superfície da água!!!
Dada minha miopia e meu estado de êxtase emocional, levei alguns segundos até perceber que o rio estava me levando na direção da pedra e, graças à Teoria da Relatividade de Einstein, fui facilmente enganado! Sem muito esforço, saí de seu caminho e passei a esperar meus amigos, que viriam logo atrás.
Foi quando o Carlinhos nos falou:
- Esse foi fácil. Mais pra frente vamos encontrar o Mateus. Vocês querem passar ou querem subir no barco?
Esse é o tipo de pergunta que não se deve fazer para nadadores. Se houver um resquício de preocupação que for, por menor que seja, ele vai aceitar a carona do barco.
Eu respondi ao Carlinhos mais com a razão do que com a emoção:
- Nós estamos aqui para conhecer o rio. Você nos disse que não era perigoso a ponto de comprometer a segurança, então vamos passar nadando, sim!
O Mateus era uma região que foi comentada conosco no dia anterior nas rodas de conversa com a população local. As histórias contadas eram todas trágicas. Mas eu me sentia muito confiante e seguro, pelas palavras do próprio Carlinhos. Seguimos descendo o rio.
Passados poucos minutos, chegamos perto. O Carlinhos orientou o melhor (ou o menos pior) caminho e lá fomos nós. A essa altura do campeonato eu já havia explicado ao Foschini a minha técnica para passar. Eu lhe dizia em alta voz, para que não houvesse dúvidas:
- Quando você estiver chegando perto, levanta a cabeça para olhar. Procure o olho do redemoinho e fuja dele, nade sobre seu braço maior. Mantenha o corpo sempre horizontal e não deixe que te afunde os pés. Em hipótese alguma fique de pé.
Lembro-me que o Foschini ainda retrucou:
- Mas se eu levantar a cabeça pra olhar, os pés afundam.
Não deu tempo para discutir tecnicamente o caso. Eles estavam se aproximando e cada um passou à sua moda. Com uma diferença: no Mateus, os redemoinhos eram ainda maiores e mais fortes - ali eu tive que fazer força pra valer. Busquei enxergar o sentido de rotação, mas com os olhos a apenas 10 ou 15 centímetros acima do nível d'água, fica difícil discernir tudo com precisão.
Passadas estas duas regiões, fomos orientados sobre a Barra do Saco, que também merecia algum respeito. Mas esse nós não chegamos a visitar, pois foi considerado pelo Carlinhos como uma região que seria bem mais tranquila.
O barco nos levou alguns minutos à frente e nadamos em regiões muito tranquilas, com remansos de um lado e canions de grande profundidade no outro. A dica era sempre evitar os remansos, onde a água quase para. Entramos novamente na água para nadar mais um pouco. O Foschini estava branco! Nem parecia muito motivado a nadar - acho que foi o susto do Mateus.
Chegamos a uma região onde o guia nos falou:
- Aqui estamos perto de Angicos, a região onde Lampião foi emboscado e morto. É só entrar por esta mata aqui - apontava na direção da margem de Sergipe - e entrar uns quilômetros.
Voltamos ao barco, que nos levou de volta até o píer de Piranhas. No meio do caminho, divertimo-nos quando o Carlinhos nos indicou pontos de alta correnteza que eu tentei vencer nadando, mas não consegui. tratava-se de uma região onde o leito do rio se estrangulava muito e sua vazão era muito concentrada - valeu pela experiência. A natureza nunca deve ser desafiada - ela deve ser respeitada e eu sabia disso.
Ao chegar em Piranhas, as entrevistas para a TV ainda dentro do barco e a despedida até o almoço, que nos foi oferecido gentilmente pela prefeitura local.


Almoçamos no mirante, com essa vista magnífica da região. Na foto acima, o Eduardo (Secretário de Pesca), o Foschini, os três amigos repórteres da TV Gazeta e eu.
Foi a primeira vez que comi Pitu, um camarão de água doce muito grande! Como se pode ver na foto acima, todos eram naturalistas e, por isso, ninguém comeu o verde - as saladas estavam intactas! Rsrsrsrs.
Se alguém for até a região eu recomendo o local - comida boa e hospitalidade ainda melhor!
Aliás, toda a cidade de Piranhas está de parabéns! Esperamos voltar no dia 4 de outubro para uma grande festa - todos vocês estão convidados!

sábado, 27 de agosto de 2011

A linda cidade de Piranhas

Primeiramente vou complementar uma informação da postagem anterior. Tenho que publicar a foto do nosso café da manhã, junto com o Foschini, com nosso big brother, o Rio São Francisco, ao fundo. Esta foto ficou escondida em minha máquina e eu só a achei hoje. Então, aí vai.


Vamos agora voltar a Piranhas. Vejam que paisagem deslumbrante: o centro da cidade fica às margens do Rio e é formada por casinhas coloridas beeeeem antigas - daquelas que têm a porta da sala dando direto na calçada.


Esta cidade é cheia de histórias pois funcionava como um terminal logístico nos velhos tempos (não sei precisar a data exata - talvez algum historiador possa nos ajudar?).  Naquela época ela fazia a interligação da navegação fluvial com o modal ferroviário. A cidade dispunha de uma estrada de ferro que se ligava a Petrolina, no sertão pernambucano - cidade hoje alagada pelo reservatório de Xingó. Sua estação pode ser vista na foto acima, no prédio mostrado no canto inferior esquerdo. De quem está olhando a partir do Rio, sua construção aparece bem imponente!
Como pode se ver, nesse ponto, o Rio São Francisco não é muito largo - estimo uns duzentos metros - pouco quando comparado com o que veremos mais próximo da foz.
Fizemos vários contatos com os administradores da cidade e agendamos nosso passeio de reconhecimento do rio para o dia seguinte. Procuramos uma pousada - há inúmeras por lá - todas repletas de pernilongos, para alegria e satisfação do Foschini. Nunca vi uma pessoa mais estressada com pernilongos do que ele. Rsrsrs. Acabamos escolhendo a Pousada Lírios do Vale, de propriedade da Sra. Dione, que é natural da região e que tão bem nos acolheu.


Apesar de a foto estar um tanto escura, dá pra perceber que a simpatia da Dona dione é inversamente proporcional à sua altura. Pensando bem, ao lado do Foschini, qualquer um fica pequeno, não é mesmo?
Percebam que sua pousada dava fundos para o Rio - fator que nos interessou e muito. Não dá pra ver direito, mas atrás deles, no Rio, está ancorada uma embarcação típica da região: a Canoa de Tolda. Ela tem dois mastros, seu projeto original é holandês e só existem 3 unidades remanescentes no Brasil: uma está aqui, outra em cidade mais próxima à foz e outra em museu. Para ilustrar melhor, anexo uma foto tirada da internet:





Linda, não? Pois ela vai nos acompanhar no primeiro dia de nossa travessia, juntamente com tantos outros barcos e caiaques. Será uma festa na cidade. Coisa de cidade do interior, que ainda curte a simplicidade como meio de ser feliz!
Tive uma verdadeira aula sobre Canoas de Tolda com o pessoal da cidade. Não vou me arriscar a discorrer sobre o tema para não parecer (mais) chato, mas acreditem, ali você respira parte da história do Brasil.
Isto sem falar no Lampião, rei do cangaço, que habitava a região fazendo justiça por seus próprios meios e que foi emboscado no sertão de Sergipe (passamos perto de lá nadando) no ano de 1938. Suas cabeças foram cortadas e expostas em Piranhas na escadaria da igreja. Nós conhecemos pessoalmente o local - há fotos na Wikipedia sobre o fato - e Dona Dione nos contou muitas histórias dessa época.
Ao final da tarde, o momento tão esperado chegou: hora de entrar no Rio e saber o que nos esperava. Já eram mais de 5 horas da tarde quando entramos pelos fundos da pousada nas cristalinas águas do Velho Chico. Sua beleza impressiona. O primeiro contato é muito importante, pois é o momento em que o nadador entra em sintonia com o rio - eles têm que ser amigos, afinal, vão passar muitas horas juntos.
Nadador que é esperto sabe que tem que respeitar o rio. Ele está lá há muito tempo - nós somos os intrusos, que viemos visitar um amigo que vai nos acolher por alguns dias. Ele é soberano - nós não somos nem titica de galinha...
A água estava numa temperatura ótima - estimo uns 24 ou 25 graus. Muito boa para uma travessia. O chão, próximo à margem, era firme, havia rochas enormes que saltavam  da água com mais de um metro de altura.
Registrei uma foto com um colega ribeirinho sobre uma dessas pedras. Ao fundo à direita, a Canoa de Tolda com suas velas recolhidas.


Fomos entrando, primeiro passo: 10 cm de profundidade; segundo, 15 cm; terceiro, 20 cm; quarto, 30 cm; quinto e último: 40 metros de profundidade!!! Eu me perguntava se aquele ambiente era real! Aquilo era um verdadeiro abismo coberto por água. Algumas pessoas na cidade falavam em até 90 metros em alguns lugares. Fiquei impressionado com a água, que no raso era cristalina e, no fundo, não permitia enxergar sua real profundidade. Mas esse "fundo" não estava além de uns seis metros de distância da margem.
Fiquei preocupado com a correnteza e fomos muito cautelosos para não entrar no meio do rio e sermos levados rio abaixo. Mas ela não era assim tão forte. Conseguimos nadar rio acima sem muito esforço e depois nos deliciamos soltando o braço rio abaixo. Foi maravilhoso.
Observamos vários redemoinhos que se formavam aqui e ali no leito do rio. Eles são formados pelo desvio do curso da água pela irregularidade do leito do rio. A água desvia em pedras e ressaltos e ressurge na superfície com força, formando redemoinhos de variados tamanhos. O que mais me impressionou foi ver alguns objetos flutuando serem capturados pelos redemoinhos e sumariamente sugados para o fundo - eu olhava por debaixo da água enquanto nadava. Já havíamos ouvido muitas histórias na cidade de pessoas que morreram nessas condições. Apesar de, naquele ponto, o risco não se apresentar como sério, sabíamos que, rio abaixo, as regiões de Caçamba e o "terrível" Mateus nos aguardavam. Aqueles seriam os pontos críticos que conheceríamos no dia seguinte, com a ajuda de um barco de apoio e a presença da TV Gazeta - a Rede Globo da região.
Eu saí da água e, pela primeira vez em minha vida, estava com medo. Não era um medão, mas um medinho que é até saudável. Comentei com o Foschini - ele não se impressionou o mesmo tanto que eu - certamente por sua vasta experiência aquática. Mas fiz questão de falar, para não ficar um sentimento represado. Afinal, quem tem, tem medo - já diz o ditado.
Voltamos para o quarto para, na companhia dos pernilongos, tomar um banho quente e dar uma volta pela cidade antes de dormir. Deitei-me pensando na melhor estratégia para o dia seguinte. As ideias estavam fervilhando em minha cabeça - como vou enxergar todas a pedras, inclusive as submersas? como vou passar pelos redemoinhos? quem pode nos orientar? onde conseguir um guia?, entre tantas outras dúvidas.
Após uma boa noite de sono (a primeira em dois dias), estávamos refeitos e prontos para o reconhecimento, que passo a descrever na próxima postagem.





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O primeiro dia da viagem

Fui até Maceió para acertar detalhes de nossa Maratona Aquática com a ajuda do incansável Foschini. Ele me pegou no aeroporto às 2:30h da manhã e já pegamos a estrada para o interior. Nosso primeiro destino era a cidade de Porto Real do Colégio, às margens do Rio São Francisco, a quarta cidade de nosso roteiro e que ainda precisava ser contatada para acertar os detalhes de apoio à prova.
Ao entrar no carro, liguei meu super GPS para entender minimamente o caminho que tomaríamos. O Foschini, apesar de morar há 15 anos em Maceió, pegou a estrada certa, mas na direção errada. Após alguns quilômetros, fizemos o retorno e voltamos. De um posto de gasolina a outro fomos perguntando até acertarmos o caminho - éramos dois paulistas perdidos no interior de Alagoas.
Pela manhã, por volta das 7 horas, estávamos em nosso destino. Passamos a ponte por cima do rio e voltamos a pé para algumas fotos. Aproveitamos para tomar um café regional - comidinha básica e bem leve: Macaxeira, tapioca, cuzcuz, ovo frito, bolo de aipim, carne de sol, queijo de coalho e aqueles ingredientes com os quais estamos mais acostumados: leite, café, pão e manteiga.


Saí "rolando" do restaurante - foi um bom começo de viagem. Fomos até a prefeitura local e conversamos com as autoridades locais sobre a organização da prova. O Rio São Francisco mostrava-se imponente e vasto como um oceano. Vejam abaixo a vista de cima da ponte na divisa entre os estados.



Fomos bem recebidos pelo pessoal de Porto Real. Logo pegamos nosso caminho em direção à cidade de Piranhas, de onde começaríamos nossa Maratona Aquática no começo de outubro. Por recomendação do pessoal da cidade e dada a proximidade de Sergipe, fomos aconselhados a pegar as rodovias daquele estado  e cruzar para Alagoas na altura da usina de Xingó, em Canindé do São Francisco. Lá fomos nós.
Eu ainda não havia dormido aquela noite e logo peguei no sono - dei algumas "fisgadas" no meio da viagem. Enquanto isso, o Foschini seguia dirigindo. Quando acordei e vi a placa: "Cuba a 15 Km" eu virei pro Foschini e logo vi que havia algo errado. Após "algumas voltinhas" a mais - o Foschini acha que andamos uns 30 km a mais, eu acho que foram 300! (Rsrsrsrsrs) - paramos para almoçar num restaurante à beira da estrada, já a 15 Km de Canindé - estávamos quase chegando. Almoção básico regional, com carne bovina no molho, arroz, feijão roxinho, feijão de corda, macaxeira, saladas e não me lembro mais o quê. Só sei que, após aquelas duas refeições eu já estava devendo um treinão de 10 Km correnteza acima. Rsrsrsrs. O restaurante tinha uma rede de descanso muito convidativa onde me deitei pela eternidade de 30 segundos - pena que não havia tempo, pois aquilo é um vidão dos bons!


Por volta das 14:30h chegamos a Piranhas, cidadezinha linda de morrer - é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional - às margens do Rio. As emoções ali foram tantas que deixo para a próxima postagem.
Obrigado por sua companhia até este ponto!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Inteligência emocional e inteligência racional

O Alessandro anda inspirado e enviou mais uma postagem para nosso blog, que transcrevo abaixo. Eu voto para o Alê se tornar um imortal da ABL...rsrs. Abraço, amigo!


Não, não estamos falando de nenhum livro de auto-ajuda nem de nenhuma “qualidade profissional”. Estou me referindo aos tutores do nosso projeto.

Se dependesse da vontade do Edmundo Foschini, já teríamos nadado há bastante tempo, e seríamos acompanhados por, no máximo, uns dois caiaques. Ele é decidido, determinado, não tem “tempo ruim”. Vislumbrou a possibilidade de pormos nossos limites à prova e defendermos uma causa nobre, que é a preservação de nossas águas. Hoje muitos dão valor a essa causa, mas poucos fazem efetivamente algo. Infelizmente talvez acordemos tarde demais pra essa realidade. Mas nosso incansável guru aquático idealizou esse grande desafio que, com um pouco de sorte e muito treino, vai marcar nossas vidas!
Já o Percival Milani é o retrato da natação em números. Minucioso em cada detalhe no que tange à segurança, litros de malto, quilometragem, ventos, correntezas, etc., etc., etc.
Esses detalhes são fundamentais para que o sucesso nos acompanhe durante os 170 Km de natação e em todos os que cercam uma aventura dessa magnitude.
Com uma equipe desse porte, resta pra nós, “mortais”, treinar - e muito - para que possamos chegar ao nosso destino com o objetivo cumprido!

A origem do projeto

O texto abaixo foi escrito pelo atleta e amigo Alessandro, um dos "quase-galãs da Globo" que vão nadar conosco! Valeu, Alê!


O pai do desafio (ou avô rsrs) é o Foschini. Ele carrega consigo esse projeto há algum tempo que, em sua origem, tinha outro formato. Em função das dificuldades na execução ele não foi posto em prática, ficou guardado, mas não esquecido.
No princípio desse ano, ao ver na TV um comercial que mostrava as cidades de Piranhas e Penedo, a vontade de ressuscitar o projeto ganhou força e eu liguei pro Edmundo sugerindo que retomássemos o projeto. Deu no que deu! O Projeto ganhou um novo formato, uma equipe “selecionada” e uma rede de apoio tem sido trabalhada com o intuito de realizarmos uma grande travessia.
Se o Foschini é o avô do projeto, o Percival é o pai. Tínhamos uma idéia, e o Percival a transformou em projeto, que hoje é um guia para que possamos buscar o apoio necessário para realizarmos e divulgarmos  a travessia.
É motivador ver nadadores consagrados, que têm em seus currículos provas internacionais com Capri – Nápoles na Itália, Canal da Mancha, tão empenhados e extremamente comprometidos com o projeto.  Estou falando do Percival Milani e do Edmundo Foschini, exemplos para todos nós, que fazemos do esporte uma filosofia de vida.
Treinar para um desafio desse porte não requer apenas capacidade técnica, vai muito além. Como não somos atletas profissionais, temos que adequar nossa rotina profissional aos treinos. Eu tenho me esforçado muito para fazer jus à confiança que foi depositada em mim. É um privilégio fazer parte dessa equipe!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Agenda da viagem

Embarco daqui a uma hora para Maceió. Lá encontrarei meu amigo Foschini e, ainda de nadrugada, nos dirigiremos ao interior do estado. Temos alguns compromissos para encaminhar. Por exemplo, temos que passar na prefeitura de Porto Real do Colégio, entregar-lhes os ofícios de solicitação da infraestrutura mínima para a prova.
Já falei pro Foschini: "Precisamos mesmo ir de carro? Vamos nadando! São só 50 Km rio acima." Rsrsrsrs. OK, a papelada não iria suportar. O negócio é ir de carro mesmo!
Tínhamos uma reunião agendada com a CHESF, que controla a usina de Xingó, mas eles entraram em greve e não teremos como contatá-los. Conhecer o ritmo de trabalho da usina é muito importante para nosso projeto, pois os tempos de travessia podem variar enormemente em função do volume de água por eles liberado.
Vamos ver como fazer...
Observando a região no Google Earth, percebe-se que, em alguns trechos, a largura do rio supera um quilômetro. Vejam a foto abaixo, tirada de lá.

É muita água, não? A característica que eu gostaria de averiguar é a intensidade da correnteza num rio assim largo. Se for muito fraca, os tempos de travessia podem crescer até 50%. A foto acima fica no maior trecho da travessia - no segundo dia, quando nadaremos 57 Km.
Na sexta-feira teremos o acompanhamento da Rede Globo local - TV Gazeta. Vamos aproveitar e fazer um reconhecimento da região e treinar um pouco.
No sábado faremos um treinão de cinco horas - para manter a forma e monitorar o ritmo de nado.
Bom, vamos em frente!
Já é hora de embarcar - até breve!



terça-feira, 16 de agosto de 2011

A extensão do desafio...

É interessante apresentar alguns dados sobre esta travessia única no Brasil. Não quero dizer que não houve travessias em outros rios brasileiros - todos nós sabemos que sim. No entanto, o que difere e chama a atenção nesta aqui é seu cunho ambiental e sua função de chamar a atenção para a realidade sustentável do Baixo São Francisco. Falaremos sobre isto em outra ocasião - hoje gostaria de salientar os pontos marcantes de nossa travessia.
Largaremos da cidade de Piranhas, à jusante da usina de Xingó, no dia 4 de outubro próximo. É o dia de São Francisco, padroeiro do rio e de várias cidades na região. A previsão é que nademos por volta de oito horas até chegar no município de Pão de Açúcar, a 45 Km de água do ponto de origem. O trajeto tem paisagens lindas, mas também tem os pontos que merecem atenção - redemoinhos e corredeiras. Faremos uma visita de reconhecimento da região ainda esta semana - posteriormente, trarei mais informações.
No segundo dia,  o trajeto é ainda maior - são 57 Km de nado até a cidade de Traipu. Estimamos cerca de dez a onze horas de nado. Neste ponto, os atletas já carregam o cansaço do dia anterior. Não será tarefa fácil. Mas São Francisco vai ajudar...
No terceiro dia, o trajeto até a cidade de Porto Real do Colégio tem aproximadamente 33 Km de extensão natatória. Estimamos cerca de seis a sete horas de nado. Os efeitos da maré começam a se apresentar (por nossas estimativas - verificaremos a realidade in loco) e passamos a administrar os horários de nado em função das  marés. Os intervalos de descanso ficam mais complicados e os atletas já estão exaustos.
No quarto e último dia nadamos mais 35 Km até a cidade de Penedo no mesmo tempo estimado para a etapa anterior. Os sobreviventes (rsrsrsrs) participam de comemoração no dia seguinte em um evento comemorativo - travessias da Federação Alagoana de Natação - em Penedo.
Só para dar um gostinho, vejam uma foto aérea do Rio próximo à cidade de Traipu.

Se é bonito assim de verdade, na semana que vem eu conto para vocês...